As Cinco Energias

Para o taoismo, os seres humanos não existem como entidades independentes. Nosso nascimento, existência, evolução pessoal e morte são dependentes e parte integrante do fluxo e refluxo das energias do universo. Os seres humanos estão em um ponto entre o Céu e a Terra, um ponto de conexão entre os grandes poderes do Yin e do Yang. Quão bem entendemos esse conceito e o integramos em nossa vida e ações, ditará não apenas nossa saúde e bem-estar, mas também até que ponto evoluiremos espiritualmente ao longo de nossas vidas.

Essa conexão com o meio ambiente começa na nossa concepção. As energias Yin e Yang de nossos pais se combinam para iniciar a formação de um novo ser. Atuando juntas em harmonia, essas duas forças interagem para gerar os vários elementos que irão formar os vários componentes físicos, energéticos e conscientes que compõem um ser unificado. Nutridos no ambiente Yin do útero de nossa mãe por nove meses, gradualmente nos desenvolvemos até a hora de nos manifestarmos no mundo exterior. Ao longo deste processo de desenvolvimento, as energias Yang dos Céus atuam sobre nós e começam a formar os vários aspectos da consciência que nos possibilitaram cognição, discernimento e compreensão. Este é um momento de equilíbrio e início, criação e harmonização.

Após o nascimento, a mistura do Céu e da Terra continua. O ar que respiramos e os alimentos que consumimos, juntamente com o estímulo mental, o apoio e o amor que recebemos todos os dias durante nossos primeiros anos, começam a desenvolver a maneira como entendemos o mundo. O delicado equilíbrio de energias internas muda e se transforma através de processos alquímicos para gerar a individualidade. À medida que crescemos e envelhecemos, experimentamos graus crescentes de estímulos externos que continuam a nos afetar internamente ao longo de nossas vidas. Este é o processo de viver.

O nosso objetivo  é nos desenvolver espiritualmente. A função da existência humana é atuar pela iluminação. Este é o desenvolvimento natural que precisa ocorrer se quisermos realizar nosso verdadeiro potencial como seres espirituais ilimitados. Ao longo de nossas vidas devemos buscar equilibrar as energias que estão em constante fluxo dentro de nós e transmutá-las em substâncias cada vez mais refinadas. Este é o caminho da união e o caminho para o Tao que tem sido praticado ao longo dos tempos pelos taoístas, e outras escolas, desde suas práticas xamânicas iniciais até as artes meditativas alquímicas que formam a base de muitas filosofias e artes da China e fora dela no oriente.

Tudo dentro do universo é visto como uma interação entre as duas energias conhecidas como Yin e Yang. Yin é uma força de declínio e quietude, silêncio e tudo o que é calmo, enquanto Yang pertence ao movimento e criatividade, ação e mudança. Yin e Yang se dividiram em entidades separadas do estado original de ser, conhecido como Wuji, que é mostrado na figura adiante.

Wuji é entendido como o ponto em que o grande potencial do Tao se faz presente no reino espiritual. É um ponto de quietude que existe acima do Yin e Yang e não tem localização própria. Wuji é a semente para toda a existência que se origina dele.

Yang é a mais sutil das duas energias e subiu para formar os Céus. Yin é a mais densa e então desce para formar a Terra. Entre esses dois pólos, toda interação possível entre Yin e Yang começou a ocorrer. A energia rodopiava e se movia junto. A mudança e o desenvolvimento aconteceram e assim ocorreu a existência. Essas energias misturadas ficaram conhecidas como Chi. O Chi é essencialmente uma força vibracional que motiva tudo dentro do universo. Diferentes vibrações podem ser mapeadas como diferentes combinações de yang e yin, picos e vales. Cada uma dessas diferentes vibrações contem informações que se movem por tudo e criam a vida como a conhecemos.

Todas as diferentes combinações de informação vibracional Yin e Yang ou ‘Chi’ foram mapeadas; primeiro em oito categorias amplas que dao origem ao Pakua e depois em 64 variações. Essas 64 variações ficaram conhecidas como Hexagramas que deram origem ao I Ching.

Através do estudo do movimento dos Hexagramas, foi possivel alcançar grandes níveis de compreensão sobre a natureza do Chi no macrocosmo do universo, bem como no microcosmo do corpo humano. Foi posivel entender como a saúde e a harmonia dependiam de haver movimento saudável e transformação de energia dentro do corpo. Foi possivel observar os movimentos de energia dentro do ambiente podem capacitar um ser humano para a elevação espiritual ou desativá-lo com doenças, dependendo de uma pessoa entender ou não como viver ao lado dos poderes flutuantes do Céu e da Terra.

A energia que flui entre o Céu e a Terra nos afeta de inúmeras maneiras. Somos um produto e uma parte integral do cosmos mais amplo. As energias mais leves e etéreas estão mais próximas do Yang/Céu e, portanto, têm uma relação mais direta com nossa consciência, enquanto as energias mais densas do Yin estão mais próximas da Terra e, portanto, nos afetam em um nível mais físico. Tudo no meio se relaciona mais intimamente com o nosso sistema de energia  a rede de rios/meridianos que é utilizada em terapias como acupuntura ou práticas como Chi Gong, Tai Chi.

A maneira ideal de um ser humano se relacionar com o Céu e a Terra é que ele se torne um canal para seus movimentos e atividades. Um ser humano equilibrado, livre de tensões e bloqueios dentro de seu corpo energético, simplesmente permitirá que o Chi de cima e de baixo fluam através dele e se encontre em seu centro. O fluxo livre das energias Yin e Yang servirá para nutrir a mente e o corpo. A estagnação será transmutada em fluidez, permitindo que uma pessoa avance com sua vida da maneira mais saudável possível.