Embora falemos da matéria astral como sólida, ela nunca o é, realmente, mostrando-se apenas relativamentesólida. Os alquimistas medievais simbolizam a matéria astral pela água, por causa da sua fluidez e penetrabilidade. As partículas na matéria astral mais densa ficam bem separadas, relativamente ao seu tamanho, mais do que mesmo as partículas gasosas. Daí ser mais fácil para dois corpos da mais densa matéria astral passarem um pelo outro, do que seria para o mais leve gás difundir-se no ar.

As pessoas no plano astral podem passar, e passam umas através das outras constantemente, bem como através de objetos astrais fixos. Não pode haver nunca o que chamamos colisão, e sob circunstancias comuns dois corpos que se interpenetram nem sequer são afetados de forma apreciável. Se, entretanto, a interpenetração se prolonga por algum tempo, tal como quando duas pessoas se sentam lado a lado um efeito considerável pode ser produzido.

Se um homem pensou numa montanha como num obstáculo, não pode passar através dela. Aprender que aquilo não é um obstáculo é precisamente o objetivo de uma parte da que é chamado “teste da terra”.

Uma explosão no plano astral pode ser temporariamente desastrosa, tanta como uma explosão no plano físico, mas os fragmentos astrais rapidamente se reúnem outra vez. Assim, não pode haver um acidente no plano astral, no sentido da palavra, porque o corpo astral, sendo fluídico, não pode ser destruído ou permanentemente lesado, como acontece com o corpo físico, so por uma explosão atomica.

Um objeto puramente astral pode ser movido através de uma mão astral, se a pessoa o quiser, mas o mesmo não acontece com a contraparte astral de um objeto físico. Para mover essa contraparte seria necessário materializar a mão e mover o objeto físico. Então, a contraparte astral o acompanharia naturalmente. A contraparte astral ali está porque o objeto físico também esta. Não se pode mover um objeto físico movendo sua contraparte astral.

No plano astral não se toca nunca a superfície das coisas, como para sentir se são duras ou macias, ásperas ou lisas, frias ou quentes, mas entrando em contato com a substancia interpenetrante vem a consciência de um ritmo diferente de vibração, que pode naturalmente ser agradável ou desagradável, estimulante ou depressiva.

Assim, se alguém está de pé sobre a terra, parte de seu corpo astral interpenetra o chão, sob os pés, mas o corpo astral não terá a consciência disso através de alguma coisa que corresponda a uma sensação de dureza, ou por qualquer diferença no poder de se movimentar.

No plano astral não se tem a impressão de saltar sobre um precipício, e simplesmente, a de flutuar sobre ele.

Embora a luz de todos os planos venha do sol, ainda assim o efeito que ela produz no plano astral é inteiramente diferente do que lhe daria o físico. no plano astral há uma luminosidade difusa, que, é evidente, não emana de qualquer direção especial. Toda matéria astral é luminosa em si mesma, embora um corpo astral não se pareça a uma esfera pintada, e sim, antes, a uma esfera de fogo vivo. Jamais há escuridão no plano astral. A passagem de uma nuvem, no plano físico, diante do sol, não faz qualquer diferença no plano astral, como também não faz a sombra que aqui na terra chamamos noite. Todos os corpos astrais são transparentes; mão há sombras.

As condições climáticas e atmosféricas não têm diferença virtual para o trabalho nos planos astral e mental. Estar, numa grande cidade faz uma grande diferença, por causa das massas de formas-pensamentos.

No plano astral há muitas correntes que tendem a levar consigo pessoas destituídas de vontade, e mesmo aquelas que têm vontade mas não sabem como usá-la.

Não há nada que se pareça ao sono, no mundo astral.

É possível esquecer, no plano astral, da mesma forma como é possível no físico. Talvez seja ainda mais fácil esquecer no plano astral do que no físico, porque aquele mundo é muito movimentado e populoso.

Conhecer uma pessoa no plano astral não significa conhecê-la no mundo físico.

O plano astral tem sido chamado, com frequência, a reino da ilusão – não porque em si próprio seja mais ilusório do que o mundo físico, mas por causa da extrema insegurança que causam impressões trazidas de lá por videntes não treinados. Isso se explica através de duas notáveis, características do mundo astral:

(1)    muitos dos seus moradores têm o poder  de modificar  sua  forma com versátil rapidez, e também o de  fascinar  ilimitadamente aqueles com os quais desejam divertir-se; e

(2)    a  visão  astral  muito  diferente  e  muito mais extensa do que a visão física.

Assim, com a visão astral um objeto é visto, por assim dizer, por todos os lados ao mesmo tempo, sendo cada partícula no interior de um sólido tão claramente aberta á vista com as que estão por fora, e tudo inteiramente livre da distorção da perspectiva.

Se olharmos para um relógio astralmente, veremos a face e todas as rodas separadamente, mas nada sobre outra coisa qualquer. Olhando para um livro fechado veremos cada página, não através das outras páginas, adiante ou atrás delas, mas veremos diretamente cada página, como se fosse a única a ser vista.

É fácil ver que, sob tais condições, mesmo os abjetos mais familiares podem ser inteiramente irreconhecíveis de inicio e que um individuo sem experiência pode bem encontrar muitíssima dificuldade para compreender o que realmente está vendo, e ainda mais para traduzir sua visão para a muita inadequada linguagem do falar comum. Ainda assim, um momento de consideração mostrará que a visão astral se aproxima muito mais da verdadeira percepção do que a visão física, que está sujeita a distorções da perspectiva.

Além dessas possíveis fontes de erro, as coisas ainda se complicam mais pelo fato de a visão astral conhecer formas de matéria que, embora ainda puramente físicas, são apesar disso invisíveis sob condições comuns. Assim, por exemplo, são as partículas que compõem a atmosfera, todas as emanações que estão sendo continuamente libertadas por tudo quanto tem vida e também os quatro graus de matéria etérica.

Ademais, a visão astral traz á visão outras e diferentes cores, para além dos limites do espectro comum visível, os raios infravermelhos e ultravioletas, conhecidos pela ciência física, sendo claramente visíveis para a visão astral.

Para tomar um exemplo concreto, uma rocha, vista com visão astral, não é apenas massa inerme de pedra. Com a visão astral:

(1) o  todo da matéria física é visto, e não apenas uma pequena parte dela;

(2) as  vibrações   das   partículas   físicas  são perceptíveis;

(3) as  contraparte astral, composta de vários graus de matéria astral, todas em constante movimento, é visível;

(4) O Chi/Prana  é visto circulando através da rocha e irradiando dela;

(5) uma aura será vista a envolvê-la;

         (6) sua  essência   elemental (energia pura ou à natureza intrínseca dos próprios elementos, terra, agua, metal, fogo, madeira)  própria   é   vista impregnando-a,   sempre   ativa,   mas   sempre flutuando. No caso dos reinos vegetal, animal e humano,  as  complicações  são, como é natural, muito mais numerosas.

Um bom exemplo do tipo de erro que tende a ocorrer no plano astral é a frequente inversão de qualquer número que o vidente tenha registrado, de forma que é possível dizer, vejamos, 139 por 931, e assim por diante. No caso de um estudante de ocultismo treinado, tal erro seria impossível, a não ser que fosse devido a uma grande pressa ou negligência, pois esse individuo tem de passar através de longo e variado curso de instruções nessa arte de ver corretamente. Um vidente treinado com o tempo adquire uma certeza e confiança no trato com os fenômenos do plano astral, que excedem a qualquer coisa possível na vida física.

É um grande erro falar com desprezo do plano astral e pensar que ele é indigno de atenção. Seria natural e certamente, bastante desastroso negligenciar seu desenvolvimento maior e ficar satisfeito com ter atingido a consciência astral. Em alguns casos é realmente passível desenvolver primeiro as mais altas faculdades mentais, ultrapassando o plano astral por um tempo, por assim dizer. Para a maioria, o progresso aos saltos não é possível. Será necessário, portanto, proceder vagarosamente, passo por passo.

Na obra “A Voz do Silêncio” da autoria de Blavatsky fala-se em três vestíbulos. O primeiro, o da Ignorância, é o Plano físico; o segundo, o Vestíbulo do Aprendizado, é o plano astral, assim chamado porque a abertura dos chacras astrais revela tanto mais do que é visível no plano físico que homem sente estar mais perto da realidade da coisa; ainda assim, ali ainda é um lugar de aprendizado probatório. Mais real ainda é o conhecimento preciso que ele adquire no Vestíbulo da Sabedoria, que é o plano mental.

Uma parte importante do cenário do plano astral consiste daquilo que, erradamente mas com frequência, é chamado Registros da Luz Astral. Esses registros (que, na verdade, são uma espécie de materialização da memória divina – uma representação fotográfica viva de tudo que já aconteceu) são real e permanentemente impressos sobre um nível muito mais alto e só se refletem de forma mais ou menos espasmódica na plano astral. Assim, alguém cujo poder de visão não vai além disso só poderá obter quadros ocasionais e desconexos do passado, em lugar de uma narrativa coerente. Sem embargo, esses quadros refletidos de toda a espécie de eventos pretéritos estão sendo constantemente reproduzidos no mundo astral e formam parte importante daquilo que ali rodeia a investigador.

A comunicação no plano astral é limitada pelo conhecimento da entidade, tal como o é no mundo físico. Quem tem possibilidade de usar o corpo mental pode comunicar seus pensamentos ás entidades humanas que ali estão, mais facilmente e mais rapidamente do que na terra, por meio de impressões mentais. Os moradores comuns do mundo astral não estão habitualmente capacitados para exercer esse poder. Parecem restringidos par limitações similares àquelas que prevalecem na terra, embora talvez menos rígidas. Consequentemente, são encontrados ali, tal como aqui, em grupos que se reuniram pelas simpatias, crenças e linguagem comum.- Plano Astral)    a