– Plano Astral
Antes de tratarmos dos sonhos, cremos, seja necessário, falarmos alguma coisa do plano no qual os mesmos ocorrem.
Assim, tanto quando o permitam a complexidade do assunto, daremos uma descrição da natureza, aparência, propriedades etc, da segundo dos sete grandes níveis ou estados da matéria existente. Esta numeração corresponde a uma ordem de observação experimental, sendo que o indivíduo humano, a medida que desenvolve as suas faculdades de percepção dentro do Processo de Autoconhecimento, indo desde o nível mais denso, que corresponde ao plano fisico, até o mais sutil.
Você deverá compreender, inicialmente, a imensa dificuldade de se dar, em linguagem física, uma descrição adequada do plano astral. A tarefa poderia ser comparada á de um explorador de algum planeta, a quem pedem que dê uma descrição completa do mesmo. As dificuldades de descrever a plano astral ainda são complicadas por dois fatores:
(1) a dificuldade de transportar corretamente do plano astral para o físico a lembrança do que foi visto;
(2) o fato de a linguagem do plano físico ser inadequada para expressar muito da que há para se dizer.
Uma das mais importantes características do plano astral é a de estar cheio de formas que se modificam constantemente: vemos que ali existem não apenas formas-pensamentos, compostas de essência elemental e animadas por um pensamento, mas também vastas massas de essência elemental das quais as formas constantemente emergem e nas quais elas constantemente desaparecem. A essência elemental existe em centenas de variedades em cada sub-plano, como se o ar fosse visível e estivesse em constante movimento ondulatório, mostrando um colorido igual aos da madrepérola. Correntes de pensamentos estão continuamente agitando essa matéria astral, os pensamentos fortes persistindo como entidades durante muita tempo, os mais fracos vestindo-se de essência elemental e dissolvendo-se novamente.
A matéria Astral tem uma missão muito concreta. Da mesma forma que a matéria correspondente ao Plano Físico tem como objetivo proporcionar a matéria que integra as formas e constitui os corpos para os distintos Reinos da Natureza, o Duplo Etérico, serve como meio de transmissão ou rede de canais pelos quais circulam as energias que animam as formas anteriores, e as dotam de mobilidade e crescimento; a matéria do Plano Astral atua como transmissora e receptora dos impulsos que ocasionam o movimento, e permitem o sentimento, a percepção do prazer e dor, do agrado e do desagrado.
Assim, os sentimentos, os desejos, as aspirações, o amor, o ódio, todo o tipo de emoção, assume uma forma própria neste nível de matéria, dotada de uma duração mais ou menos ampla em função da intensidade com que foi originada e emitida, impulsionada a este processo por diversos aspectos diferentes.
– Características da Matéria Astral
Igual ao que ocorre em todos os outros níveis, no Astral existem sete Sub níveis de diferentes densidades.
A matéria Astral interpenetra a Física, ocasionando que cada átomo físico flutue em uma atmosfera de matéria Astral que o envolve e ocupa todos os interstícios. Da mesma forma que a matéria Etérica passa através da matéria densa, de igual maneira a matéria Astral interpenetra a Etérica.
A densidade da matéria Astral se encontra em direta correlação com a da matéria física que interpenetra.
Todo objeto físico possui matéria Astral de grau correspondente, que atua como uma contraparte a esse nível, se bem que não existe uma correlação direta entre as partículas do objeto físico, e as de sua contraparte Astral, que se encontram em continuo movimento. Nos seres vivos esta contraparte se destrói por desagregação trazendo a morte física do ser. No caso dos objetos inanimados, a contraparte se destrói quando se destrói o objeto físico.
Neste nível a matéria muda de forma continuamente por ocasião dos impulsos emocionais dos seres vivos, e pela Essência Elemental correspondente a este Plano, que produz as formas mais diversas ininterruptamente, em uma corrente incessante.
O estado desta matéria não é sólido, senão que fluido, estando suas partículas mais separadas que as gasosas ou Etéricas. Esta condição permite que os corpos existentes neste nível possam facilmente interpenetrar-se sem nenhuma repercussão apreciável, sendo que se essa situação se prolongar, poderia produzir-se um intercâmbio de partículas e, por conseguinte, uma influencia recíproca. Este estado fluídico torna possível que um objeto puramente Astral passa ser movido por um ser Astral, mas não a contraparte Astral de um objeto Físico, já que esta se encontra unida indissoluvelmente e ele.
O tato transmite o ritmo vibratório dos objetos, mediante sensações agradáveis ou desagradáveis.
A luz solar no Plano Astral produz um efeito muito diferente que no Físico. Existe aqui uma luminosidade difusa que não procede de nenhuma direção determinada, sendo a própria matéria Astral luminosa por si não existindo nesse nível a escuridão, as sombras, e não sendo afetada pelas condições atmosféricas.
Assim como acontece no nível Etérico, no Astral existem fortes correntes que podem arrastar a quem se coloque a seu alcance e não saiba como evitar.
A visão a este nível é muito diferente da física, já que cada objeto é percebido por todos seus lados de uma vez, inclusive seu interior e exterior. Igualmente podem contemplar-se as partículas que compõem a atmosfera, as auras dos seres, e os quatro Sub níveis da Matéria Etérica, além das cores ultravioleta, infravermelho e todas quanto atuam como complementares das cores ordinárias a que nossa visão comum tem acesso.
Em um objeto material qualquer, a visão Astral expõe pois toda possível perspectiva, a vibração das partículas físicas que a compõem, a contraparte Astral em continuo movimento, a circulação do Chi/Prana em seu interior e emanando dele, a aura do objeto e a Essência Elemental que a impregna, sempre ativa e flutuante.
Desde o nível atômico de Plano Astral se tem uma percepção dos Registros Akásicos radicados no mais elevado Sub plano do Plano Mental Concreto, mas refletidos aqui de maneira imperfeita e esporádica.
– O Plano Astral o Mundo dos Sonhos
O Plano Astral é para onde, o Ego leva a mente e o corpo astral, durante o sono. Neste mundo, a primeira preocupação do Ego é a restauração do ritmo e da harmonia da mente e do corpo astral (de desejos). Esta restauração é efetuada gradualmente na medida em que as vibrações do Plano Astral fluem através dos veículos. Há uma essência no Plano Astral, correspondente ao chi/prana, que penetra o corpo físico por meio do corpo etérico. Os veículos superiores, por assim dizer, ficam envolvidos nessa energia. Quando fortalecidos, eles iniciam o trabalho sobre o duplo etérico, que foi deixado junto do corpo físico que dorme. Então, o duplo etérico inicia a especialização da energia solar novamente, reconstruindo o corpo físico e usando particularmente as diversas energias dos movimentos no processo de restauração.
Entretanto, às vezes acontece que o corpo astral não se retira totalmente e, desta forma, parte dele permanece ligada ao duplo etérico, o veículo da percepção sensorial e da memória. O resultado é que a restauração é parcialmente concluída e as cenas e ações do Astral são trazidas para a consciência física em forma de sonhos. É claro que a maioria dos sonhos é confusa devido ao eixo da percepção estar distorcido, em função da desequilibrada relação entre um corpo e outro. A memória fica também confusa devido a esta inconsequente relação entre os veículos e, como resultado da perda da força restauradora, o sono é atribulado e cheio de sonhos e o corpo se sente cansado ao despertar.
O que faz do sono um estado restaurativo? No próprio termo está implícita uma atividade. Se um prédio vai ser restaurado, é necessário que seus moradores o desocupem cessando aí o desgaste pelo uso. Porém, não é suficiente. Os operários precisam reparar os danos causados pelo uso do edifício. Somente quando esse trabalho terminar, a restauração estará completa e o edifício pronto para ser reocupado pelos moradores.
O mesmo acontece com o físico, nosso físico, quando ele fica exausto. É necessário, então, que o Ego, a mente e o corpo astral se afastem e deixem o duplo etérico à vontade para que ele possa restaurar o tom do físico. Assim, quando o físico adormece, há uma separação. O Ego e a mente, envolvidos pelo corpo astral, retiram-se do duplo etérico e do corpo físico, que permanece na cama, enquanto que os veículos superiores flutuam acima ou perto do corpo que dorme.
Quando o corpo astral se retira do corpo que dorme, entra no Plano Astral. Lá ele coloca em ordem o emaranhado do dia, formando imagens verdadeiras para substituir as impressões distorcidas, devido às limitações da vida no corpo físico. Assim ele tem a possibilidade de recuperar seu ritmo e seu tom, levando o tempo necessário para restaurá-lo, que varia de acordo com o tipo de vida que teve naquele dia – se ilusória, impulsiva ou extenuante.
Somente então começa o trabalho de restauração dos veículos deixados no leito e o também restaurado corpo astral começa a reanimar o duplo etérico, bombeando energia rítmica e este, por sua vez, inicia o trabalho no corpo denso, eliminando os produtos do desgaste, principalmente por meio do sistema nervoso simpático. O resultado é que o corpo físico, restaurado, está cheio de vida quando o corpo astral, a mente e o Ego entram de manhã e fazem com que ele acorde.
Às vezes, no entanto, acontece que nós estivemos tão absorvidos e interessados nos afazeres da nossa existência no mundo que, mesmo depois que o duplo etérico entrou em colapso, deixando o físico inconsciente, não conseguimos deixa-lo para começar o trabalho de restauração; o corpo astral fica aderido, o Ego retirando-se só pela metade, e, nessa posição, começa a repassar os acontecimentos do dia.
É evidente que esta é uma condição anormal. A conexão entre os diferentes veículos é rompida primeiramente pelo colapso do duplo etérico e mais tarde perturbada pelas posições relativamente incomuns dos veículos superiores e o resultado inevitável são aqueles sonhos confusos onde os sons e as visões do Plano Astral estão misturados com os acontecimentos da vida diária da forma mais grotesca e absurda.
Às vezes, quando algum acontecimento do dia agitou demais o corpo astral, e este já rompeu a conexão com os veículos inferiores e está envolvido no trabalho de restauração anteriormente descrito, acontece que um desagradável incidente daquele dia aparece e o corpo astral vê a solução. Então, ele corre de volta para o físico a fim de imprimir as ideias no cérebro, causando um despertar brusco. Somente em alguns poucos casos o corpo astral é capaz de trazer a solução tão clara como era no plano Astral. Mesmo que a impressão da solução no cérebro seja bem sucedida, normalmente a esquecemos pela manhã.
Naturalmente há ocasiões em que os sonhos são proféticos e que se cumprem, mas tais sonhos só se realizam após o total desprendimento do corpo astral e sobre circunstâncias onde o Ego talvez vê algum perigo que possa suceder, e então, imprimi o fato sobre o cérebro no momento do despertar.
Isto também acontece quando o Ego empreende um vôo anímico e deixa de realizar parte do trabalho de restauração. Então o corpo não estará refeito e assim permanece dormindo. O Ego poderá ficar longe do corpo por alguns dias ou até semanas antes que entre em seu corpo físico e assuma a rotina diária normal de dormir e despertar. Esta condição é chamada de transe e o Ego poderá lembrar, ao retornar, tudo o que viu e ouviu no Mundo Superior ou poderá esquecer, de acordo com o estágio de seu desenvolvimento e da profundidade do transe. Quando o transe é leve, o Ego permanece no quarto onde seu corpo está e, quando retornar ao corpo, estará apto a repetir para seus parentes tudo o que eles disseram e fizeram enquanto seu corpo jazia inconsciente. Quando o transe é mais profundo, o Ego não tem consciência do que aconteceu em volta de seu corpo, mas poderá contar experiências do mundo invisível.
Na vida comum, a maioria das pessoas vive para comer. Elas bebem, gratificam a paixão sexual de maneira desenfreada e perdem a cabeça diante da mínima provocação. Embora externamente essas pessoas possam ser muito “respeitáveis”, elas estão, em quase todos os dias de suas vidas, causando muita confusão na organização de seus veículos. Todo o período do sono é gasto pelos corpo astral e duplo etérico reparando os danos causados durante o dia, não sobrando tempo livre para nenhum trabalho fora do corpo.
Porém, quando o indivíduo começa a sentir a necessidade da vida superior, controla sua força sexual e seu gênio, e cultiva uma disposição serena, causando assim menos desequilíbrio nos veículos durante as horas de vigília. Consequentemente, menos tempo é necessário para a restauração durante o sono. Desta forma, passa a ser possível deixar o corpo físico por longos períodos, durante as horas de sono, e funcionar nos mundos internos em seus veículos superiores.
Como o corpo astrals e a mente não se acham ainda organizados, eles não são usados como veículos de consciência separados. O duplo etérico não pode deixar o corpo físico, pois isto causaria a morte; desta forma, medidas devem ser tomadas para prover um veículo organizado, que seja fluídico e tão bem construído que atenda as necessidades do Ego nos mundos internos, assim como o corpo físico o faz no Mundo Físico.